Você entendeu o final de Hereditário? Se não, nós temos todas, ou pelo menos algumas das respostas que você procura.

De antemão alerto que este artigo está repleto de informações cruciais da trama, então caso ainda não tenha assistido ao filme, recomendo que leia nossa crítica e, após assisti-lo, sinta-se à vontade para retornar aqui.

O que o final de Hereditário quer nos dizer?

[ATENÇÃO contém spoilers!]

Hereditário é um dos filmes mais agonizantes da última década, explorando diversos elementos de terror, sem cair no clichê. Abordando também vários temas polêmicos, mas de maneira séria e consciente.

Toni Collette atua brilhantemente, dando vida a Annie, uma mulher que é assolada por sua mãe, mesmo após ela ter morrido.

Ao final da trama, sua vida está totalmente destruída, seu espírito corrompido, e sua família toda morta, restando apenas Peter, o escolhido para alojar um demônio.

Mas o que quer dizer hereditário?

Segundo a Wikipédia: “Em genética, hereditariedade é o conjunto de processos biológicos que asseguram que cada ser vivo receba e transmita informações genéticas através da reprodução.”

Annie e seus filhos provavelmente receberam alguma característica de sua matriarca, algo sombrio. Já Steve, apenas estava no meio do caminho, e acaba por pagar pelos pecados dos outros.

Para entender o final de Hereditário separarei este texto em tópicos. Apesar de complexo, o longa tem uma sequência linear de acontecimentos, obviamente todos bizarros e friamente calculados – pela mãe de Annie, é claro.

A filha mais nova, Charlie

Annie (Toni Collette) e Milly Shapiro (Charlie) em Hereditário (2018)
(IMDb/Reprodução)

Charlie, que é a filha caçula do casal, demonstra desde o início que sua avó tinha um papel maior como mãe, mais do que a própria Annie, além de acreditar que não deveria ter nascido menina, e sim menino.

Este é primeiro indício de que para que os planos da mãe de Annie dessem certo, ela necessitava de alguém do sexo masculino, mas como não teve acesso a Peter, acabou por tomar Charlie para si.

A primeira ida ao grupo de autoajuda

Quando Annie decide ir pela primeira vez ao grupo de ajuda, ela já demonstrava certo desequilíbrio mental, e ao contar o seu passado a todos no círculo de cadeiras, fica nítido o porquê. Sua mãe era uma pessoa altamente controladora, fez com que o próprio filho se suicidasse -, possivelmente ele foi a primeira cobaia dos planos diabólicos dela.

Ela também revela que era sonambula, tentando até mesmo matar os filhos queimados, durante uma de suas crises.

Peter é um jovem amargurado

Peter (Alex Wolff) em Hereditário (2018)
(IMDb/Reprodução)

Em uma crise de sonambulismo, Annie assusta Peter, e acaba revelando inconscientemente que tentou abortá-lo, fazendo com que o garoto ficasse ainda mais distante da mãe.

É bem provável que o instinto materno desejava proteger a cria, tentando provocar um aborto, mas como nada surtiu efeito – graças à forte magia negra -, a criança acabou nascendo saudável.

Então, durante aquela noite, ela tentou repetir o ato, agora com o garoto já adolescente, mas falhou novamente.

A morte de Charlie, e Joan

Charlie estava marcada para morrer ainda criança, funcionando desde o seu nascimento apenas como um receptáculo fraco a fim de que o demônio ‘andasse livremente’ pela Terra.

Após sua morte e a segunda ida de Annie ao grupo, ela conhece Joan – agora líder da seita -, pessoa que a ensina sobre o ocultismo, na intenção de enganá-la, lhe oferecendo a oportunidade de se comunicar novamente com Charlie.

Joan na verdade a ensina abrir portas para que Paimon possuísse Peter.

Mas quem é Paimon?

Paimon
(The Luciferian Apotheca/Reprodução)

Na demonologia, Paimon é um dos reis do inferno, retratado como um homem com um rosto afeminado, e um dos mais obedientes servos de Lúcifer.

O demônio pode conceder qualquer desejo a quem o invoca, afim de obter o mesmo da pessoa.

Peter é possuído

Ao final de Hereditário, Peter já não encontra forças para resistir, e ver seu pai morto na sala, o desespera ainda mais; ao se assustar com sua mãe se autoflagelando – como se ela fosse uma oferenda – e homens pelados no sótão – que provavelmente são espíritos -, ele acaba pulando pela janela.

Analisando a altura, e a obsessão da mãe de Annie por proteger o garoto, provavelmente ele não morreu na queda, apenas não podia mais “lutar”, e acabou por aceitar a possessão de Paimon.

Hereditário pode ser um filme sobre loucura?

Annie (Toni Collette) em Hereditário (2018)
IMDb/Reprodução)

Também tenho a teoria de que a família Graham tem como herança a esquizofrenia, excluindo Steve, que não recebeu os genes da velha falecida. Fazendo assim com que eles tivessem as mais diversas visões distorcidas do mundo, Annie e Charlie são o melhor exemplo disso, e provavelmente a matriarca também seria.

Mas e como explicar corpo da avó e de Charlie no sótão? Annie flutuando na casa? Os homens pelados surgindo do nada? Além dos símbolos satânicos, e a enigmática Joan?

Como tudo que víamos partia da ótica dos personagens, nós, meros espectadores estaríamos presenciando suas loucuras e também as vivíamos. Nunca existiu um demônio de fato.

E você, o que achou do final de Hereditário? Quais são as suas teorias?