Crítica Hereditário

Dirigido e roteirizado por Ari Aster, Hereditário é um longa de horror/drama/suspense que conta a vida da família Graham após a morte de sua matriarca.

Aster, que é um estreante no mundo dos longa-metragens, já havia feito ótimos trabalhos em curtas de drama nos últimos anos; recebeu a dura tarefa de dar mais fôlego à indústria dos filmes de terror – que pena entre o médio e o ruim há anos, salvo algumas poucas exceções.

Hereditário não só nos faz pensar, também traz diversos sentimentos à tona em seu tempo de exibição em tela.

Confira a crítica sobre o que esperar do filme.

Hereditário | Análise

Premissa

O longa já começa com um velório, e ao mesmo tempo que deixa a família Graham triste, traz certo alívio.

Annie não tinha um bom relacionamento com sua mãe, e demonstra toda a sua insatisfação através de maquetes que ela mesma constrói espalhadas pela casa. Nem mesmo ela sabe se sofre com a morte da progenitora.

Quem sofre de fato com a perda é Charlie, uma garotinha de apenas 13 anos, que tinha a avó como principal símbolo materno.

Durante as 2 horas e 7 minutos de filme, o que mais da agonia não são cabeças saltando da tela, ou serial killers, são os fantasmas do passado. Nota-se que Annie não está bem mentalmente, e que mesmo após a morte de sua mãe, é ela quem tem o controle da família.

Personagens

Toni Collette (Pequena Miss Sunshine) é Annie, aparentemente uma mãe como qualquer outra, que vive seus dilemas. Graças à dura vida que teve ao lado de sua mãe desde a infância, o passado a atormenta.

O maior destaque vai para a atuação de Milly Shapiro, como Charlie, que em seu pouco tempo de tela, consegue demonstrar vários sentimentos, mesmo com poucas ou nenhuma fala.

Milly Shapiro (Charlie) em Hereditário (2018)
(IMDb/Reprodução)

Alex Wolff (Jumanji: Bem-Vindo à Selva) também se sai bem no papel de Peter, filho adolescente da família. Com seu olhar vago e ao mesmo tempo triste, nos faz perceber que seu convívio familiar não é dos mais saudáveis, e que aquilo suga sua alma.

Gabriel Byrne (Spider – Desafie Sua Mente) dá vida a Steve, o pai de família, que embora tenha uma atuação tão boa quanto os já citados, é o que menos se destaca durante a trama.

Além destes, ainda temos outros personagens, que são pessoas que passam pela vida dos Graham durante todo esse período turbulento, em especial a enigmática Joan.

Como curiosidade, confira o elenco completo de Hereditário:

Personagem Ator/Atriz
Annie Graham Toni Collette
Steve Graham Gabriel Byrne
Charlie Graham Milly Shapiro
Peter Graham Alex Wolff
Professora da Charlie Christy Summerhays
Sr. Davis Morgan Lund
Bridget Mallory Bechtel
Brendan Jake Brown
Líder do grupo de autoajuda Jarrod Phillips
Mulher que fala espanhol Heidi Méndez
Tradutor Moises L. Tovar
Aaron Brock McKinney
Joan Ann Dowd

Sonorização

Hereditário em diversos momentos é um longa totalmente silencioso, e isso faz com que coisas simples, como um estalar de boca, te faça pular da cadeira.

Nada de gritos aterrorizantes, sons muito estridentes, como o de praxe, Ari Aster busca o novo, e inova.

As músicas presentes na trilha sonora foram compostas por Colin Stetson, não possuem vocal, e podem levar de um clima leve para tenso com apenas uma nota.

Análise geral

​Para quem cresceu assistindo a filmes de terror, é impossível não ter na lista de favoritos clássicos como O Exorcista (1973) e A Noite dos Mortos-Vivos (1968), entre outros. E vindo à épocas mais recentes, temos o incrível It: A Coisa – primeiro terror que assisti nas telonas.

No geral, a premissa do gênero sempre leva a um caminho: o da morte; e para os efeitos de susto, temos as cenas bizarras, corpos pendurados, algo saltando à tela, banheiras de sangue e/ou perseguições -, que dependendo do filme, funcionam mais ou menos – eu, por exemplo, não me assusto com facilidade.

E chegando a Hereditário, o longa abrilhanta os olhos e ouvidos por não seguir o clichê, trabalhando elementos que são de certa forma simples, mas que podem dar um nó na sua cabeça.

Por alguns momentos, o roteiro “esfria”, sendo possível até mesmo ver alguém mexendo no celular, olhando as horas ou bocejando na sala do cinema, ruídos esses que se misturavam aos efeitos sonoros do longa; poderiam ser espectadores entediados, ou talvez a minha imaginação, que já estava em transe. Portanto, uma coisa é certa: eu vivi o filme.

Quando pensava já ter visto de tudo durante a projeção, o final conseguiu impressionar ainda mais, trazendo lembranças de A Bruxa (2015) – do mesmo produtor. O ritual estava completo.

Se pudesse descrever Hereditário em uma palavra seria: incrível!​

REVER GERAL
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